Dê adeus às velhas ideias e inove com Design Thinking (PARTE 2)

Este artigo é a continuação da entrevista realizada com Adriana Aquini. Se você chegou aqui e ainda não viu a primeira parte do artigo, corre lá para ficar por dentro sobre o que é design thinking, quais as suas etapas e que tipo de empresas e áreas podem se beneficiar com o uso deste método.

Neste artigo vamos falar sobre como o Design Thinking pode agregar valor para as organizações, como motivar pessoas a apoiarem a sua aplicação, alguns cases inspiradores e dicas de leitura para se aprofundar neste assunto.

Como o design thinking pode agregar valor aos processos de uma organização?

O Design Thinking tem o poder de integrar os diversos níveis da organização, pois as equipes de projetos são multidisciplinares. Não há barreiras de hierarquia no desenvolvimento do projeto, todo o processo é conduzido de forma colaborativa e por meio de ferramentas visuais, facilitando a comunicação e o consenso. Existe um intenso movimento de se incorporar a visão do DT na gestão de projetos (Project Thinking), na gestão de RH (jornada do colaborador), nos processos educacionais e no desenvolvimento de serviços (service design). Algumas empresas no Brasil já estão prestando serviços de capacitação e consultoria específicas nestas áreas.

O maior valor que o DT traz para a gestão é na forma como os problemas são gerenciados.

  1. Colaboração das equipes e a integração entre áreas na solução de problemas: recentemente, participei de um programa de inovação onde compusemos uma equipe multidisciplinar de 4 pessoas das áreas comercial, operações, atendimento e suporte. O problema que escolhemos estava diretamente relacionado às áreas comercial e operações, sendo que trabalhamos 6 meses no projeto aplicando a abordagem do DT em todo o processo. Foi surpreendente a mudança de pensamento e de comportamento após a finalização do projeto, pois todos da equipe puderam entrevistar clientes na fase de imersão. Assim, o processo colaborativo e empático possibilitou que cada um pudesse “olhar” o problema pela perspectiva do outro e do cliente.
  2. Incorporar o raciocínio abdutivo na solução de problemas: o exercício do raciocínio abdutivo está no “DNA” dos designers, que é a capacidade de imaginar algo que poderia existir. Infelizmente, essa capacidade imaginativa não é estimulada em outras profissões. Nas empresas tradicionais, em geral, as decisões são baseadas nos raciocínios indutivo (fundamentado na observação de que algo funciona) e dedutivo (baseado na prova de que algo existe), limitando a capacidade criativa e inovadora das pessoas. O grande desafio da gestão é combinar os 3 (três) raciocínios de forma sistemática, e o DT tem o poder de facilitar esse processo.

Quais as principais dificuldades na aplicação do design thinking?

As barreiras são inúmeras, mas depende muito do nível de maturidade da organização para incorporar uma cultura inovadora. A maior barreira se encontra no perfil da liderança: será que os líderes e gestores terão capacidade de desapegar das suas ideias, assumir o papel de mentor de suas equipes, delegando a elas o poder de criar oportunidades e solucionar os problemas de seus clientes e funcionários? A liderança está preparada para considerar a inovação como ação estratégica e prioritária dentro da sua organização? Nos projetos e eventos de inovação que já participei, percebo um baixo nível de engajamento da liderança… muitos estão inseridos no contexto da imagem abaixo, e alegam não ter tempo ou haver outras prioridades.

artigo-DT

No setor público, onde atuo há 17 anos, as barreiras para inovar são maiores ainda… Medo do risco, ausência de reconhecimento e recompensa, rigidez nos processos, visão burocrática para resolver problemas complexos, inconstância de propósito e influência política no processo decisório. Mas mesmo diante deste cenário, já conseguimos desenvolver diversos projetos na empresa e o feedback das pessoas é surpreendentemente positivo.

Como motivar as pessoas para apoiarem a aplicação do design thinking?

Precisamos partir da premissa: inovar é necessidade básica do ser humano, mesmo com ventos contrários. Podemos usar dessa força para incorporar o pensamento de design nas nossas instituições, para criar soluções e serviços que gerem valor percebido pelos clientes/usuários. Três pontos são fundamentais para motivar as pessoas:

  1. Capacitação: o primeiro passo é possibilitar que as pessoas da equipe conheçam a metodologia. Há muito conteúdo online (youtube), cursos presenciais e a distância sobre o tema;
  2. Incentivo da liderança à inovação: dar liberdade e estimular a equipe para gerar e testar ideias, bem como participar de eventos de inovação é fundamental. Muitas parcerias e insights nascem das conexões que acontecem nesses eventos;
  3. Intraempreendedorismo: dar espaço para os intraempreendedores é um caminho para disseminar o DT. São aqueles colaboradores que exercem uma liderança informal, e têm grande influência sobre o desempenho das equipes por meio da confiança conquistada de forma natural. Essas pessoas, apesar das barreiras no caminho, transformam problemas em oportunidades e criam mecanismos para implementar novas ideias.

Quais cases de empresas que aplicaram design thinking podem ser inspiradores para as pessoas?

Os projetos desenvolvidos pela IDEO, baseados no processo de design centrado no ser humano (HCD – Human-Centered Design), são uma grande inspiração. Um case deles (são inúmeros) impactou a vida de milhares de famílias no mundo todo. O desafio inicial era combater a mortalidade infantil, e a ideia era criar “incubadoras” de baixo custo para bebês. Mas o grupo de alunos da D.School, aplicando a abordagem do DT, redefiniu o problema e criou um dispositivo móvel de aquecimento (veja o vídeo), que deu a chance de milhões de bebês sobreviverem.

Outro exemplo, o Airbnb, acreditou que o design seria capaz de superar o preconceito do estranho-igual-perigo. Joe Gebbia, co-fundador do Airbnb, conta essa história inspiradora em detalhes nesse TED: Como o Airbnb cria confiança por meio do design thinking.

Quais leituras são recomendadas para quem quiser se aprofundar no assunto?

Uma das minhas referências aqui no Brasil é o Rodrigo Giaffredo, administrador, entusiasta do DT, trabalha na IBM como um catalisador da inovação. Vale a pena acompanhar o canal dele no Youtube, chamado Inovação Possível.

Com relação a livros, indicaria inicialmente “Design Thinking” do Tim Brown e “Confiança Criativa” do Tom e David Kelley. Esse livros são considerados as “bíblias” da abordagem.

            livro-uma-metodologia            livro-confianca-criativa

Recomendo também a leitura do livro “A Empresa Orientada pelo Design”, de Marty Neumeier, especialmente para os administradores. O autor provoca o leitor a desconstruir completamente nossa ideia sobre a Ciência da Administração. Ele defende que seu modelo tradicional e obsoleto não tem mais o poder de sustentar as empresas, e serão bem-sucedidas aquelas focadas no design.

livro a empresa orientada pelo design

 

 

 

 

 

 

 

Links:

Profissões do futuro: as áreas mais promissoras do design

Como o intraempreendedorismo pode impulsionar a inovação em sua empresa

Como o Airbnb cria confiança por meio do design thinking

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